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Osso de apóstolo é de homem que viveu ao menos 150 anos depois – Planeta

Osso de apóstolo é de homem que viveu ao menos 150 anos depois   Planeta

Osso de apóstolo é de homem que viveu ao menos 150 anos depois Planeta

Relíquias são mantidas sob o altar da basílica dos Santos Doze Apóstolos. em Roma. Crédito: Kaare Lund Rasmussen/SDU

Em Roma fica a basílica dos Santos Doze Apóstolos (Santi Apostoli), mantida pelos irmãos franciscanos há mais de 500 anos. Por mais de 1.500 anos, esse local guardou os restos mortais de dois dos primeiros cristãos e apóstolos de Jesus: São Filipe e São Tiago Menor.

Nos primeiros séculos após Jesus, a vida era difícil para a minoria cristã. Gradualmente, porém, houve avanços e, no século 6, o cristianismo se tornou a religião dominante. Depois que o imperador Constantino, em seu leito de morte, declarou o cristianismo a religião do estado, igrejas foram construídas em todo o Império Romano.

Logo depois que esses templos foram erguidos, restos mortais de mártires cristãos foram removidos de seus túmulos para igrejas de adoração designadas nas cidades. Isso também se aplica aos restos mortais de São Filipe e São Tiago Menor. Tais movimentos de restos mortais foram chamados de traslados.

Pé, fêmur e tíbia

Não se sabe quem trasladou os supostos restos mortais de São Filipe e São Tiago Menor e de onde eles vieram, mas é um fato que eles vieram glorificar a atual basílica dos Santos Doze Apóstolos em Roma, construída em sua homenagem. É também um fato que os restos mortais se encontram na igreja desde o século 6.

Essas relíquias são realmente os restos mortais de São Tiago Menor e São Filipe? E o que mais podemos aprender com os ossos?

Os esqueletos estão hoje longe de completos. Apenas fragmentos de uma tíbia, um fêmur e um pé mumificado permanecem. A tíbia e o pé são atribuídos a São Filipe; o fêmur, a São Tiago Menor. Parece provável que tenha sido assim desde o século 6.

Datação por radiocarbono

Kaare Lund Rasmussen, professor de química e arqueometria da Universidade do Sul da Dinamarca, liderou as investigações científicas desses vestígios com o apoio de uma equipe composta por colegas da Universidade de Groningen (Holanda), da Universidade de Pisa (Itália), do Cranfield Forensic Institute (Inglaterra), da Pontifícia Academia de Arqueologia (Itália) e do Museu Nacional da Dinamarca. Os resultados foram publicados na revista “Heritage Science”.

Os pesquisadores consideraram os restos mortais de São Filipe muito difíceis de ser descontaminados e datados por radiocarbono, e sua idade permanece desconhecida até agora. Mas o fêmur, que se acredita pertencer a São Tiago Menor, passou por várias análises. Mais importante ainda, a datação por radiocarbono resultou em 214-340 d.C.

Assim, a relíquia preservada, o fêmur, não é o de São Tiago Menor. Ele se origina de um indivíduo cerca de 160-240 anos mais jovem que o santo, explica Rasmussen. “Embora a relíquia não seja de São Tiago Menor, ela lança um raro lampejo de luz em um tempo muito antigo e em grande parte desconhecido na história do cristianismo primitivo”, acrescenta ele.

Quem era essa pessoa, é impossível dizer.

Pedaço de fêmur, que se acredita ser de São Tiago Menor, montado em uma estaca de madeira e com um anel dourado na igreja romana. Crédito: Kaare Lund Rasmussen/SDU

À procura de cadáveres de mártires

“Consideramos muito provável que quem levou esse fêmur para a basílica dos Santos Doze Apóstolos acreditava que ele pertencia a São Tiago Menor. Eles devem tê-lo tirado de um túmulo cristão, por isso pertencia a um dos primeiros cristãos, apóstolo ou não”, comenta Rasmussen. O mesmo vale para os restos mortais de São Filipe, acrescenta o professor.

“Pode-se imaginar que quando as autoridades da igreja primitiva estavam procurando pelo cadáver do apóstolo, que viveu centenas de anos antes, eles olhariam em cemitérios cristãos antigos, onde corpos de homens santos poderiam ter sido colocados para descansar em algum momento anterior”, escrevem os pesquisadores na “Heritage Science”.

Uma tradição popular

O primeiro movimento conhecido dos restos mortais de um mártir para uma igreja é o de São Bábilas de Antioquia, em 354 d.C. Seus restos mortais foram transferidos de um cemitério em Antioquia para Daphne e colocados em uma igreja construída especialmente para esse fim pelo governador César Galo

Imediatamente depois disso, os traslados se popularizaram. Os traslados de São Timóteo, Santo André e São Lucas para Constantinopla ocorreram em um ano.

Ao mesmo tempo, as fontes refletem uma crescente popularidade e circulação de relíquias da segunda parte do século 4 em diante.

Apesar das críticas do bispo Atanásio de Alexandria (morto em 373) e de Shenute (morto em 465), no final do mesmo século e no seguinte, relíquias de mártires e santos começaram a ser trasladadas para igrejas.

Em todo o Império Romano, corpos ou partes de corpos foram exumados, transladados e reenterrados na abside nas proximidades do altar de muitas igrejas importantes.

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