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Pacientes da rede pública com comorbidades foram os que mais morreram de covid-19 no ES – Cidades – R7 Folha Vitória

Pacientes da rede pública com comorbidades foram os que mais morreram de covid 19 no ES   Cidades   R7 Folha Vitória

Pacientes da rede pública com comorbidades foram os que mais morreram de covid 19 no ES Cidades R7 Folha Vitória

Foto: Divulgação Folha Vitória

Folha Vitória

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Pacientes idosos, com comorbidades e usuários de hospitais públicos do Espírito Santo morreram em decorrência da covid-19 com maior frequência do que os com o mesmo perfil, porém internados em unidades da rede particular. A constatação é de um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). O artigo foi publicado na plataforma Scielo, sob o título “Fatores associados ao óbito hospitalar por COVID-19 no Espírito Santo”.

Os pesquisadores concluíram que a falta de acompanhamento e controle das comordidades entre os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) contribuiu para que eles apresentassem quadros mais graves da doença. Isso porque estavam com a saúde frágil antes de se infectarem com o coronavírus.

Realizada em parceria com uma faculdade particular e com o Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), a pesquisa comparou a evolução da covid-19 entre mais de 400 pacientes que morreram e receberam alta, tanto na rede pública quanto na privada, até 14 de maio. De lá pra cá, segundo o estudo, não houve alteração no perfil dos pacientes que não resistiram à doença.

“As pessoas que morreram eram mais idosas, principalmente na faixa etária acima dos 65 anos. As pessoas que morreram tinham não só uma outra doença, mas tinham duas, três ou quatro: hipertensão, diabetes, eram tabagistas. E a gente observou que as pessoas que entravam no serviço público eram mais graves. Elas tinham mais comorbidades”, destacou a professora do Departamento de Enfermagem da Ufes e pós-doutora em Epidemiologia, Ethel Maciel, uma das autoras do artigo.

A professora espera que o resultado da pesquisa sirva de lição ao poder público. Ela afirma que os impactos da pandemia poderiam ter sido menores se o atendimento básico de saúde fosse mais eficiente.

“Os municípios precisam agora achar essas pessoas: aquelas pessoas que são diabéticas e que estão há muito tempo sem ir à unidade de saúde, aquelas pessoas que são hipertensas e também tem muito tempo que não verificam a pressão. Precisamos aprender com isso e melhorar essa condição de saúde das pessoas de outras doenças, que já são doenças crônicas”, ressaltou Ethel Maciel.

Resultados

Segundo a pesquisa, até 14 de maio, foram internadas 889 pessoas com confirmação do diagnóstico para covid-19, sendo a primeira internação ocorrida em 26 de fevereiro e o primeiro óbito em 20 de março. No estudo, foram analisados os 200 indivíduos que receberam alta e os 220 que foram a óbito. 

Do total de pessoas estudadas, 57,1% eram do sexo masculino, 46,4% maiores de 60 anos de idade, 57,9% foram notificados por instituição privada e 61,7% apresentaram mais de uma comorbidade. Na análise ajustada, a mortalidade hospitalar foi maior entre aqueles nas faixas etárias de 51 a 60 e mais de 60 anos, notificados por instituição pública e com maior número de comorbidades.

“Nós investigamos os óbitos para traçar o perfil desses pacientes. Os dados coletados são do sistema do SUS. Levantamos internações, altas hospitalares, onde ocorreram as mortes, comorbidades dos pacientes”, explicou o professor do Departamento de Matemática da Ufes, Etereldes Gonçalves Júnior, também autor do artigo. 

As variáveis sociodemográficas analisadas foram sexo, idade, raça/cor da pele e município de residência (região metropolitana ou interior). A pesquisa também avaliou a presença de doenças e agravos possivelmente associados ao desfecho do caso, como doenças pulmonares, cardíacas e renais; hepatites; diabetes mellitus; doenças imunológicas; infecção pelo vírus HIV; neoplasias; tabagismo; cirurgia bariátrica; obesidade; tuberculose e doenças neurológicas crônicas.

Para os pesquisadores, a pandemia enfatiza a necessidade de serem criados mecanismos legais para pleno financiamento do SUS, de forma que o Brasil esteja mais preparado em outras situações de crise sanitária, enfatizando a necessidade da atenção à saúde básica da população.

Com informações da repórter Fernanda Batista, da TV Vitória/Record TV