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De tanque cheio | Revista Carro

De tanque cheio

De tanque cheio

As grandes distribuidoras mantém programas de inspeção de qualidade dos combustíveis

Comum, aditivada ou premium? Além do etanol, os postos de combustíveis contam com três opções de gasolina para o motorista, com qualidades que interferem no preço e no desempenho do carro. Em comum e independentemente da sua escolha, todas recebem, por força de lei federal, a adição de etanol anidro, cujo teor varia de 20% a 25%. “A gasolina C, fornecida pelas distribuidoras ao consumidor final, resulta do produto das refinarias (A) mais 25% de etanol, determinado em maio deste ano”, explica Izabel Lacerda, coordenadora de Qualidade de Produtos Automotivos da Petrobras Distribuidora.

O etanol anidro propicia a redução na taxa de emissão de dióxido de carbono (CO2) e aumenta a capacidade que a gasolina tem, em mistura com o ar, de resistir a altas temperaturas na câmara de combustão, sem sofrer detonação, chamado de índice (ou qualidade) antidetonante (IAD/QAD). No Brasil, o etanol é usado no lugar de outros oxigenantes que causam impactos para a saúde e para o meio ambiente.

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Além da nomenclatura, a principal diferença entre elas está na octanagem ou índice de octano. A gasolina “C” comum deve ter um índice mínimo de 87, e, se isenta de corante, vai de incolor a alaranjada. “Com baixa octanagem, ela detonará antes da centelha, fazendo com que o veículo perca potência e gerando um ruído metálico característico, a ‘batida de pino’”, lembra Ricardo França, coordenador técnico de combustíveis da Ipiranga. 

As aditivadas possuem o mesmo índice 87 da comum, porém recebem um pacote de aditivos detergentes e dispersantes que propiciam maior limpeza do sistema de injeção, livrando o motor dos produtos de oxidação formados pela gasolina, a borra. “A vantagem da aditivada é manter as características originais de projeto dos sistemas de injeção, evitando a formação de depósitos nos injetores e válvulas de admissão”, avalia França. 

Já a gasolina premium, considerada nobre, conta com índice de octanagem mínimo de 91. “Com maior índice, o processo de combustão, que converte o combustível em energia e deslocamento, é superior, conferindo melhor desempenho ao veículo”, analisa Eduardo Dominguez, diretor de Operações da ALE Combustíveis. 

Isso não significa um motor mais “potente”, uma vez que a potência do motor é determinada pelo projeto, e não pelo combustível. Com maior octanagem, a versão premium permite que o motor alcance sua potência de projeto. No entanto, a percepção da melhor dirigibilidade e do aumento de desempenho será maior apenas para motores com alta taxa de compressão, que requerem gasolina de alta octanagem. “Quanto maior a octanagem, melhor a qualidade antidetonante. Assim, o combustível detonará quando for produzida a centelha, e não antes”, acrescenta França. “Além disso, a premium pode ou não ser aditivada, dependendo da distribuidora que a comercializa.” 

Embora não exista uma obrigatoriedade no mercado brasileiro quanto à adição de corante na aditivada, cada distribuidora escolhe seu tom para diferenciá-la da gasolina comum. As únicas cores que não podem ser usadas são o azul (gasolina de aviação), e o rosado (utilizado no passado na mistura de metanol/etanol/gasolina). – Publicidade –

Não é tudo igual. Mesmo

As principais distribuidoras do país adquirem a gasolina “A” da Petrobras, a maior produtora brasileira. Izabel explica que a gasolina comum é produzida, em sua quase totalidade, pelas 11 refinarias da Petrobras. “Porém, cada distribuidora possui seu programa de qualidade de combustíveis para assegurar que o produto armazenado nos postos mantenha as especificações exigidas pela ANP, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.” A Petrobras Distribuidora, por exemplo, monitora regularmente a qualidade dos combustíveis nos postos com sua bandeira, por meio dos laboratórios móveis do programa De Olho no Combustível. Já os da marca Original Ipiranga contam ainda com um marcador químico exclusivo que permite aferir a qualidade dos combustíveis em qualquer lugar do Brasil. 

Dominguez, da ALE, também lembra que a gasolina vendida em postos pode ter origens diferentes. “Pode ser produzida nas refinarias da Petrobras, por outros refinadores do país, por formuladores, pelas centrais petroquímicas ou, ainda, importada por empresas autorizadas pela ANP. Além disso, a comercialização nos postos acontece somente após a adição do etanol anidro realizado pelas distribuidoras em suas bases e terminais.”

Mudança segura

A finalidade da gasolina aditivada é limpar (e manter limpos) bicos injetores, válvulas, câmera, cabeçote, carburador e todos os componentes em contato com o combustível, deixando no mínimo 40% de depósito a menos que a gasolina comum. Dependendo da quantidade de sujeira do motor ou do tanque, a troca brusca de gasolina comum para a aditivada pode causar uma grande remoção desses resíduos e problemas no motor.

Para Gilberto Pose, coordenador técnico de combustíveis da Raízen, licenciada da Shell no Brasil, o ideal para quem quer substituir a comum é colocar a gasolina aditivada gradativamente, para promover uma limpeza suave no motor. “Abasteça por três ou quatro vezes meio a meio e, na seguinte, apenas com a aditivada.” 

O contrário também merece atenção. “Como a comum não evita o depósito de sujeiras nas válvulas e bicos injetores, o motorista deve notar perda de rendimento, dificuldade na hora das partidas, lentidão nas retomadas, aumento do consumo e, consequentemente, aumento de emissões”, resume Pose. 

Para os donos de carros flex, uma recomendação especial na hora de trocar radicalmente de combustível: depois de esvaziar o tanque, rodar pelo menos 10 quilômetros para que o sistema eletrônico do veículo perceba e se acostume com a mudança. Assim, o motor não deixará o motorista na mão na próxima partida. 

O uso de aditivos extras é uma escolha do cliente, pois as distribuidoras não os recomendam. Pose também aponta que eles não costumam oferecer mais benefícios do que a gasolina aditivada, que já chega balanceada à bomba. “Como são indicados para 40 litros, a dosagem manual pode acarretar excesso no tanque, uma vez que o fracionamento do produto também não é indicado.” O aditivo extra, explica Dominguez, da ALE, pode ser uma forma de evitar problemas, mas não os resolve. “Sozinho não corrige defeitos em um carro com muitos depósitos de sujeira no motor, com fraco desempenho, alto consumo e falhas. Para eles, a solução é o mecânico.”

O novo etanol

Conhecido como 2.0 ou de segunda geração, o novo etanol é um combustível considerado mais limpo e ecologicamente correto, pois é produzido a partir do bagaço e da palha da cana-de-açúcar, possibilitando o aproveitamento quase integral da matéria-prima. “No entanto, o etanol final é o mesmo, seja ele proveniente do bagaço ou da própria cana”, explica João Alberto Abreu, diretor de Tecnologia e Bioenergia da Raízen, joint-venture entre a Shell e a Cosan e principal fabricante de etanol de cana-de-açúcar do país. 

Os produtores de cana-de-açúcar apostam no chamado "novo etanol" para tornar o combustível mais competitivo e ganhar em eficiência na produção

Existem algumas produtoras do novo combustível em testes ao redor do mundo, mas ainda sem escala comercial. No Brasil, por enquanto também não há produção para atender ao mercado. Com uma planta-piloto no Canadá em parceria com a Iogen, empresa de biotecnologia daquele país, a Raízen também aposta no novo etanol. “O objetivo é colocar em prática a unidade brasileira com um alto padrão de excelência”, acrescenta o diretor. 

Batismo de fogo 

Perda de potência especialmente nas subidas, aumento das emissões de gases poluentes e do consumo de combustível, dificuldades na partida e instabilidade na marcha lenta encabeçam a lista de sinais indicativos de adulteração da gasolina com solventes e excesso de álcool.

Izabel Lacerda, da Petrobras Distribuidora, alerta que o combustível “batizado” causa danos ainda maiores ao motor. Os principais são a detonação — popularmente conhecida como ‘batida de pino’ — e o entupimento do filtro de combustível, que diminui o fluxo do produto e leva a falhas no funcionamento. “Além disso, provoca falha na centelha devido ao desgaste das velas de ignição, à corrosão precoce dos contatos elétricos e à interrupção do circuito elétrico”, diz Izabel.

De olho na bomba

1 – Prefira postos com bandeira de uma distribuidora e sua marca nas bombas. As grandes contam com um programa de qualidade com postos certificados

2 – Cuidados com os “clones”, postos que utilizam as cores de uma marca famosa, mas não ostentam o nome de nenhuma bandeira, confundindo o consumidor

3 – Abasteça sempre no mesmo posto. Em caso de irregularidade, é mais fácil detectar a origem do problema

4 – Se precisar utilizar outro local, abasteça com pequena quantidade, apenas o suficiente para chegar ao posto de sua confiança

5 – Desconfie de valores muito baixos, pois a qualidade do combustível está diretamente atrelada ao preço

6 – Peça nota fiscal para ter uma garantia de procedência 

7 – Se desconfiar do combustível, retorne ao posto e exija um teste do produto. É um direito do consumidor

8 – Em caso de irregularidades, denuncie para a distribuidora ou órgãos de fiscalização, como a ANP (Tel. 0800 970 0267). E, claro, troque de posto 

Comum, aditivada e premium: as gasolinas não são todas iguais