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A forma

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A forma

Esta semana acompanhei atentamente as eleições americanas, como boa parte do mundo. Não, não vou falar de política por aqui, apesar de o assunto ter meu olhar sempre – “o homem é um animal político”, disse o filósofo grego Aristóteles, e concordo plenamente. Na verdade, minha atenção se voltou nesses dias para a maneira como os candidatos e eleitores americanos se comportavam diante de uma das mais competitivas eleições na maior democracia do planeta.

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Pode parecer algo superficial ser tão impactada pela postura de alguém, mas a apreciação pela maneira de se portar e pela forma de se expressar me acompanham há anos e cresceram à medida que a maturidade se fez presente. Quanto mais experiências tenho na vida, mais cristalina fica minha visão do quanto a qualidade da forma como falamos e nos portamos contribui para um lugar aonde se pode viver melhor.

Sei que, como qualidade e virtude, é insuficiente só ter modos. Podemos cometer erros se só avaliarmos alguém sob esse ângulo. Caráter não está em absoluto associado com ser mais ou menos polido, e ser clara nesse ponto é fundamental para avançar no meu pensamento. O que fisgou minha cabeça até que este artigo ganhasse forma foi como a polidez no respeito ao outro, e nos políticos respeito à sociedade que os elege, pode contribuir para que tenhamos um mundo menos violento. A vigilância sobre o modo que nos portamos demonstra moral, no sentido de evitar falas que potencializam o combate bruto e primitivo.

Agir de maneira grosseira, selvagem e, portanto, sem polidez gera violência e me leva a considerar a civilidade como virtude fundamental para mantermos uma sociedade saudável. “Um código de vida social e uma ética do comportamento”, diz o filósofo francês André Comte-Sponville. Temos também que tomar cuidado e não confundir ser educado com não dizer a verdade para manter aparências ou se manter polido para não criar inimizades. Ser franco no conteúdo e polido na forma: que a discussão parta desse patamar para que possamos avançar a conquistas maiores.

O que vimos nas últimas semanas nos Estados Unidos e o que vemos também muito no nosso Brasil é uma falta de respeito ao outro, seja ele seu concorrente político, inimigo ou conhecido. A forma como falamos sobre outras culturas também costuma ser desrespeitosa. Falar sobre alguém ou com alguém de maneira grosseira expõe o grau de civilidade de quem fala e não da pessoa citada.

ALICE FERRAZ É ESPECIALISTA EM MARKETING DE INFLUÊNCIA E ESCRITORA, AUTORA DE ‘MODA À BRASILEIRA

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Estadão

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