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Teste: Citroën DS5 | Revista Carro

Teste: Citroën DS5

Teste: Citroën DS5

Uma das grandes discussões que envolvem projetistas e engenheiros é se a forma deve se sobrepor à função ou vice-versa. Afinal, é melhor ter um produto bonito e difícil de ser usado ou o contrário?

Essa polêmica se estende ao mundo dos automóveis. Observe o Citroën DS5, por exemplo. É uma station wagon, certo? Mais ou menos. Para os executivos da Citroën do Brasil, o DS5 é um crossover, termo que define um modelo que reúne características de veículos distintos. No caso, o espaço e o conforto de uma perua com o prazer ao dirigir e o estilo de um cupê.

Estratégias de marketing à parte, o fato é que o DS5 é um automóvel bonito e que chama a atenção por onde passa. O carro nem é tão grande (tem 4,53 m de comprimento, 1,58 m de largura e 1,51 m de altura), mas a sua carroceria tem linhas imponentes, que transmitem a sensação de que ele é maior do que aparenta. 

Ainda na parte externa, saltam aos olhos dois detalhes cromados que se estendem dos faróis até um pouco depois das colunas frontais, ladeando o capô. Chamadas de “espadas”, elas são sempre cromadas, independentemente da cor da carroceria. 

Na traseira, as belas lanternas formam um conjunto harmonioso com o restante da carroceria e as duas saídas de escapamento conferem um ar esportivo ao DS5. Outro detalhe que deve ser mencionado é o teto de vidro com três cortinas com acionamento elétrico, sendo uma para cada ocupante da dianteira e outra para a traseira.

Faróis de xênon direcionais com luzes diurnas de LEDs e a conhecida grade frontal com o duplo chevron da Citroën, encimada pela marca DS, completam o visual do novo crossover.

O interior do carro transmite a mesma impressão de amplitude da parte externa, ainda mais se as já mencionadas cortinas do teto estiverem abertas. Os bancos e o revestimento são de couro especial e há insertos de metal (e não imitações) no painel. 

O toque extra de requinte fica por conta do relógio analógico no painel. O banco do motorista, além dos ajustes elétricos, conta com massageador, enquanto o volante pode ser ajustado em altura e distância. Assim, fica fácil encontrar a melhor posição de dirigir a bordo deste Citroën. Há ainda uma central multimídia controlada por um seletor similar ao usado por Audi e BMW em seus modelos. Por fim, há ainda um Head Up Display idêntico ao do Peugeot 3008, que exibe não só a velocidade, mas as indicações do navegador.

Para os ocupantes do banco de trás, o conforto é similar: além de ótimo espaço, quem viaja ali conta com saídas de ventilação e ar-condicionado exclusivas. O acesso também é fácil, já que as portas, além de possuírem boas dimensões, têm bom ângulo de abertura.

Mas, mesmo tão bonito e requintado, o Citroën DS5 tem as suas incoerências. E aqui voltamos à discussão sobre forma e função. O acionamento elétrico das janelas, por exemplo, é feito por teclas instaladas no console, e não nos puxadores das portas, a posição mais ergonômica; o vidro traseiro é dividido em duas peças, o que prejudica a visibilidade pelo retrovisor interno; há um console de teto com porta-objetos e as teclas que acionam as cortinas e o Head Up Display. Por fim, embora se trate de um modelo com “características de uma station”, o porta-malas do DS5 acomoda 468 litros, capacidade apenas razoável. Será que os engenheiros da Citroën não poderiam ter providenciado soluções melhores para esses itens?

De acordo com Jeremie Martinez, chefe de produto da linha DS, os detalhes mencionados fazem parte da “identidade DS” e, nesse caso específico, a forma foi privilegiada em relação à função. Além disso, é preciso reconhecer que se o DS5 não tivesse os detalhes citados, seria mais um automóvel como outro qualquer.

E se é bonito de ver, o novo Citroën é bom de conduzir. A excelente posição de dirigir convida a uma condução mais esportiva, embora faltem as borboletas para trocas de marcha, já que o moderno câmbio automático de 6 marchas tem opção de trocas manuais sequenciais.

Por fim, o motor é o 1.6 turbo, idêntico ao usado no DS3, com 165 cv e 24,5 mkgf. Mas, ao contrário do que alguns possam imaginar, ele não se mostrou fraco para o conjunto do DS5, que pesa 1.480 kg, contra 1.090 kg do “irmão menor”. Em nosso teste, o crossover acelerou de 0 a 100 km/h em 10s e retomou de 60 km/h a 120 km/h em 9s9. Já o consumo de combustível foi apenas razoável, com 7,8 km/l de gasolina na cidade e 11,6 km/l na estrada.

Já disponível em todas as concessionárias da rede Citroën, o DS5 pode ser adquirido por R$ 124.970 em versão única e conta com 3 anos de garantia. Para quem faz questão de um carro com estilo único, esta é a escolha certa.

Conclusão

Não se deixe enganar. Apesar do visual lembrar o de uma station, o Citroën DS5 é um automóvel com uma pitada esportiva, mas que oferece bom nível de conforto e de requinte. Da mesma forma, o motor 1.6 THP mostrou-se bem adequado ao modelo. Apenas o consumo poderia ser melhor. – Wilson Toume

Nossas medições

Aceleração 0-100 km/h: 10s0

Retomada 60-120 km/h em D: 9s9

Frenagem 80 a 0 km/h (m): 25,3

Consumo cidade (km/l): 7,8

Consumo estrada (km/l): 11,6

Ruído a 120 km/h em 6ª (dB): 62,1

Dados da fabricante

Motor 4 cilindros, turbo, gasolina dianteiro, transversal; Cilindrada 1.598 cm3; Potência 165 cv a 6.000 rpm; Torque 24,5 mkgf a 1.400 rpm; Câmbio automático, 6 marchas; Tração dianteira; Comprimento 4,53 m; Largura 1,58 m; Altura 1,51 m; Entre-eixos 2,72 m; Porta-malas 468 l; Peso 1.480 kg