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Testamos o C4 Lounge THP | Revista Carro

Testamos o C4 Lounge THP

Testamos o C4 Lounge THP

Não há dúvida sobre o impacto que o C4 Pallas causou quando foi lançado há mais de seis anos, mas ele já não estava mais ajudando a Citroën no seg­mento dos sedãs médios. Para se ter uma ideia, no acumulado de emplacamentos de janeiro a junho, o Pallas amargava apenas a 13ª posição em sua categoria. Por isso, nada mais justo que, com base no sucesso da linha DS mundo afora, o C4 também ganhe um novo rumo: o substitu­to do Pallas se chama Lounge e chega sóbrio, moderno e equilibrado.

Com projeto global, o modelo foi desen­volvido por equipes de design de França, China e América Latina, ganhando mudanças impor­tantes para cada mercado que atingirá. O que chegará ao Brasil em setembro, por exemplo, será fabricado na Argentina e oferecerá o con­junto de suspensão trabalhado para enfrentar as condições das ruas e estradas que todos nós conhecemos bem. O três-volumes tam­bém será fabricado na Rússia e na China.

Visando entrar na lista dos cinco mais vendi­dos entre os sedãs médios no Brasil, a Citroën terá como pedras em seu caminho modelos como Honda Civic, Toyota Corolla, Chevrolet Cruze, Volkswagen Jetta, Renault Fluence, Peu­geot 408, Ford Focus Sedan, Mitsubishi Lancer e Hyundai Elantra. A vida do C4 Lounge não será fácil, mas ele chega com as armas necessárias para enfrentar com igualda­de os principais modelos do setor. Para Francesco Abbruzzesi, diretor-geral da Citroën do Brasil, o Lounge não é apenas uma evolução do Pallas. “É uma resposta ao mercado que evolui. Co- locamos em jogo toda a capacidade da marca e mostramos aonde podemos chegar”, disse.

No Brasil, o preço da versão top de linha, o C4 Lounge Exclusive 1.6 TH, será de R$ 77.990. A versão de entrada, Origine, terá motor 2.0 flex de 151 cv e 21,7 kgfm com etanol e somente com câmbio manual de 5 marchas por R$ 59.990. Já a Tendance traz sob o capô o mesmo motor e custa R$ 62.490 com transmissão manual ou R$ 66.990 com câmbio automático sequencial de 6 marchas. A Exclusive 2.0, disponível somente com a caixa automática, custará R$ 72.490.

Os valores do seguro também estão definidos. São os seguintes: 10.000 km: 4 de R$ 100; 20.000 km: 4 de R$ 153; 30.000 km: 4 de R$ 139; 40.000 km: 4 de R$ 153; 50.000 km: 4 de R$ 153 e 60.000 km: 4 de R$ 223.

Com traços que lembram facilmente a família DS, a Citroën apostou em um ar totalmente renovado no desenho do Lounge. O modelo ficou robusto, com linhas fortes e marcantes. Uma das grandes diferenças em relação ao Pallas é o encurtamento do terceiro volume, inspirado nos clássicos da fabricante SM, CX e XM. Apesar do visual ficar mais agradável, isso acarretou em uma redução considerável do porta-malas: de 580 litros do Pallas para 450 do Lounge. Apesar de ter um comprimento menor que o antecessor, o novo sedã médio da Citroën praticamente manteve a distância entre-eixos: 2.710 mm, o que significa espaço de sobra para quem viaja nos bancos traseiros.

E, falando em interior, a marca caprichou nos traços e no acabamento interno, com uma mistura sóbria de tons escuros com detalhes cromados. Até mesmo o banco ganhou uma novidade: passa a utilizar em seu tecido detalhes metálicos, algo nada comum e que dá a sensação de que a fabricante pensou nos pormenores para agradar os ocupantes. Os bancos dianteiros acolhem muito bem o motorista e o passageiro, o que assegura bom conforto para viagens longas. O câmbio automático oferece trocas manuais para cima e para baixo, mas faltaram borboletas atrás do volante.

No console central, uma tela multimídia de 7” (que não é tátil e dificulta um pouco as operações) mostra as opções do rádio e do GPS MyWay, que já conta com o mapa brasileiro e sistema com voz em português também do Brasil (e não de Portugal, como no DS4). Também vale ressaltar o sistema de alerta de ponto cego, que indica, por meio de LEDs, a presença de outro veículo (mesmo motocicletas) se aproximando.

Uma das novidades mais interessantes está debaixo do capô: a opção do motor THP 165 (Turbo Haute Pression), um motor 1.6 turbo de 165 cv a gasolina que já equipa alguns modelos do grupo PSA Citroën Peugeot e BMW. O torque é de consideráveis 24,5 mkgf já a 1 400 rpm. E foi exatamente esse modelo, que trabalha com um câmbio automático de 6 marchas, que testamos nas ruas da Argentina e no Autódromo de Buenos Aires, que anos atrás recebia a Fórmula 1 e que proporciona um teste com curvas de baixa, média e alta velocidades.

Na cidade, o três-volumes se comporta bem, com fôlego de sobra para retomadas e ultrapas­sagens. O câmbio de 6 marchas trabalha com agilidade, sem deixar de ser suave: ponto para a Citroën. O conjunto de suspensão é uma das novidades que também chama a atenção no modelo, com um acerto ideal para pequenos buracos e asfalto descuidado. Apesar disso, a resposta do veículo aos comandos da direção eletro-hidráulica nas curvas poderia ser um pouco melhor, mas percebe-se que a Citroën quis manter aquele lado de conforto que era visto no C4 Pallas.

Na estrada, o sedã se mantém firme em ve­locidades acima dos 100 km/h, o que pôde ser confirmado no autódromo, quando atingimos números mais altos. Mesmo quando o modelo “se perde”, entram em ação os controles de es­tabilidade, de tração e todas aquelas letrinhas que ajudam o motorista que passa do limite do carro. Também na pista aferimos os números de desempenho: o C4 Lounge foi de 0 a 100 km/h em 8s56, número considerável para um automóvel de 1.512 kg.

A estratégia da companhia francesa parece ser a mesma utilizada na família DS: oferecer muitos mimos e uma ampla lista de equipamentos de série para ter algo a mais que os concorrentes. Isso não significa, porém, que a fabricante esteja usando esses artifícios para maquiar um veículo ruim. Muito diferente disso: o C4 Lounge tem fôlego, sim, para disputar mercado com veículos que já estão no gosto do público e ficar, como prevê a Citroën, entre os cinco primeiros do segmento. Resta aguardar a receptividade do público.

Conclusão

Média Final: 7,6

Esqueça o Pallas. O C4 Lounge é um carro totalmente renovado e que chega com força para disputar o concorrido segmento dos sedãs médios. Alguns detalhes passaram em branco, mas isso não tira o mérito do modelo.

– Rafael Munhoz

Nossas medições

Aceleração 0-100 km/h: 8s56

Retomada 60-120 km/h em Drive: 8s88

Frenagem 80 a 0 km/h (m): 25,47

Consumo cidade (km/l): 8,3

Consumo estrada (km/l): 13,2

Ruído a 120 km/h em Drive (dB): 69,4

Dados da fabricante

Motor 4 cil., turbo, 16 válvulas, diant., transv., gasolina; Cilindrada 1.598 cm3; Potência 165 cv a 6.000; Torque 24,5 kgfm a 1.400 rpm; Câmbio automático de 6 marchas; Tração dianteira; Comprimento 4,62 m; Largura 1,78 m; Altura 1,50 m; Entre-eixos 2,71 m; Porta-malas 450 l; Peso 1.512 kg