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Distintos e potentes | Revista Carro

Distintos e potentes

Distintos e potentes

Competidores

BMW M6 Gran Coupé: Um dos modelos mais luxuosos da marca foi lançado neste ano.

Por quê? Conta com uma carroceria belíssima e um motor V8 biturbo com impressionantes 560 cv.

MERCEDES CLS 63 AMG SHOOTING BRAKE: Não, ele não tem nada de familiar. Seu estilo é único.

Por quê? Também conta com um V8 biturbo sob o capô, com 557 cv à disposição. O melhor: ele será vendido no Brasil!

Apenas como esclarecimento sobre as cifras que envolvem a dupla acima: só os freios de cerâmica e o sistema de entretenimento da marca Bang & Olufsen do BMW M6 Gran Coupé custam o equivalente a um VW Golf básico ou a um MINI One bem equipado, incluindo rádio e freios, claro! No Mercedes também se pode investir uma quantia considerável nos opcionais, como a cobertura do motor de fibra de carbono (€ 3.511) ou a pintura fosca (€ 4.401).

No entanto, assim que o motorista se ajeita no banco do CLS equipado com vários bolsões de ar e aciona o V8 de 5,5 litros, o motor biturbo faz os pensamentos sobre possíveis maus investimentos desaparecem. A 1.750 rpm ocorre o torque máximo de 73,4 mkgf, que logo é processado pelo câmbio automático de 7 marchas. O Shooting Brake murmura, então, como um budista extremamente relaxado, com uma aceleração moderada e, na função start-stop — assim como o BMW —, cumpre o teste de consumo padrão da Auto Motor Und Sport obtendo bons 10,9 km/litro.

Para o tráfego nas cidades, o controlador de velocidade adaptativo é a melhor op­ção, enquanto, no trânsito livre, o funcio­namento dos amortecedores eletrônicos proporciona a sensação de se estar a bordo de um sedã esportivo potente.

Na hora de acelerar, graças ao Con­trole de Largada, o Mercedes de quase 2 toneladas arranca de 0 a 100 km/h em 4s3, emitindo estrondosos “hinos de V8”, cumprindo assim a promessa da fabrican­te. O câmbio troca as marchas automati­camente e com muita rapidez. Apenas as respostas aos comandos de mudança no modo manual parecem lentas.

Em contrapartida, extremamente bri­lhante é o seu comportamento de con­dução. O CLS não teme as curvas mais fechadas, é extremamente ágil e ainda assim permanece neutro, mesmo quando a velocidade aplicada faz com que o pas­sageiro reclame. Além disso, o diferencial autobloqueante faz com que o CLS tenha uma tração adequada, que desaparece apenas em estradas mal conservadas. Aqui o ESP, mesmo no segundo estágio, chega a prejudicar o desempenho.

Uma possível razão para isso são os movimentos um pouco irregulares no eixo traseiro, que fazem com que o tran­quilo Shooting Brake fique fora de sincro­nia. A suspensão se torna mais precisa no modo Sport — em compensação, a dire­ção não. Apesar de ser agradavelmente linear, ela não é das mais rápidas. Com relação à dirigibilidade, o Mercedes — em boa parte graças ao seu diâmetro de giro menor — se sai bem no uso diário.

Mas o BMW não é muito diferente, em­bora, às vezes pareça que sim. O interior, por exemplo, agrada com uma atenção apaixonada ao detalhe até a última cos­tura. A eletrônica de entretenimento e de informação mostra ao Mercedes uma nova referência em tecnologia. Apenas os bancos um pouco desproporcionais não se ajustam perfeitamente a todos.

O estilo de carro esportivo provavel­mente agradará aos interessados num sedã de 560 cv. Mesmo na mais suave das três opções, o ajuste da suspensão está longe de ser macio. Duro demais? Pelo contrário, ele permanece sempre firme e inabalável aos mínimos movi­mentos da carroceria.

A direção do BMW, que é mais rápida que a do Mercedes, agrada e fornece respostas claras, mas, às vezes, também dá pequenos golpes. Essa precisão tam­bém ajuda a responder a outro ponto fraco do M6, mas faz com que o desempenho — apesar de ele contar, de série, com diferencial traseiro bloqueável — às vezes não seja consistente. Em pistas ruins e úmidas, o Gran Coupé se mostra propenso a mudanças de temperamento no eixo traseiro, deixando claro que o humor de um automóvel com motor de 560 cv e tração nas rodas de trás só consegue fazer rir uma platéia muito especial e seleta.

Quem se considera parte desse público pode experimentar o modo MDrive. Ele proporciona ao motorista um pouco mais de espaço para “passear” entre os limites do atrito estático e do dinâmico. E isso acontece com bastante frequência, pois o V8 do BMW gera muito torque logo cedo. Embora seja menor que o utilizado pela Mercedes, o seu motor biturbo gera 69,4 mkgf a 1.500 rpm. Sim, 4,1 mkgf menos que o Mercedes. Desvantagem? Mesmo que fosse, o M6 gira mais e corta somente a 7.200 rpm (o limite do Mercedes é 6.500 rpm).

No geral, a forma uniforme — apesar de violenta — como o motor bávaro entrega o seu incrível desempenho mais equivale a de um motor aspirado. Nele, se orienta também o seu som grave, quente, muito limpo, nunca de frequência alta e sempre um pouco abafado.

Outro destaque: o câmbio robotizado de dupla embreagem. Sobretudo na mais rápida das três velocidades de mudanças de marcha selecionáveis e em plena carga é possível passar rapidamente e brutalmente pelas 7 marchas. A desvantagem: mesmo com o start-stop desativado, o BMW no tráfego urbano tende a trepidar ligeiramente, mas nada que chega a incomodar de fato. Já na prova de aceleração (0 a 100 km/h), que é realizada impassivelmente pelo M6 em 4s1, ele atinge a mesma pontuação do Mercedes Shooting Brake.

Além disso, os dois belos automóveis de alto desempenho tiveram no teste de dinâmica e no de consumo (menos de 7,1 km/litro) praticamente o mesmo resultado. E uma vez que as personalidades diferentes de suas características não proporcionam nenhum ponto extra na somatória, apenas a precificação impertinente dos bávaros ajuda no resultado de singularidade. O que não muda nada com a opção de freio mais cara, mas, mesmo assim, não muito eficaz.

Nossa conclusão

1º Mercedes CLS 63 AMG Shooting Brake

À primeira vista, este Mercedes pode até passar a impressão de que se trata de um comportado veículo familiar luxuoso e confortável. Trata-se de uma meia verdade, já que requintado e muito cômodo ele é, de fato. Mas, graças ao potente motor V8 biturbo que o equipa, capaz de gerar impressionantes 557 cv, o CLS 63 AMG exibe um desempenho digno dos melhores esportivos do planeta e, no final do comparativo, obteve uma boa vantagem sobre o concorrente de Munique. A vitória, porém, deveu-se não só à potência do seu propulsor, mas, principalmente, ao equilíbrio do modelo. Basta conferir o resultado na prova de slalom (18 m), na qual o Mercedes se saiu muitíssimo bem, apesar de ser um carro de grandes dimensões.

Pontos positivos: Mesmo tratando-se de um veículo com 5 m de comprimento, o CLS Shooting Brake impressionou pelo equilíbrio e dirigibilidade.

Pontos negativos: Ele tem estilo de uma station, mas o seu espaço interno não é dos maiores. Tudo bem, é difícil imaginar que alguém adquira um CLS AMG pensando na família, mesmo assim, não deixa de ser contraditório.

2º BMW M6 Gran Coupé

A vitória do Mercedes CLS Shooting Brake não desmerece este BMW. Trata-se de um belíssimo cupê de 4 portas com o estilo inconfundível da marca, o que, em parte, contribuiu para a sua derrota. Ou seja, um carro cuja visibilidade não é das melhores, assim como o espaço interno (lembre-se que o Gran Coupé destina-se apenas a quatro felizardos). A dirigibilidade, em compensação, é das melhores, assim como o desempenho. O enorme tanque de combustível também proporciona uma ótima autonomia, ideal para viagens. Pena que seja tão caro equipá-lo com os opcionais oferecidos pela fabricante.

Pontos positivos: Como na maioria dos modelos da marca, o desempenho e a dirigibilidade são dignos de elogios.

Pontos negativos: O espaço para os ocupantes, especialmente na traseira. Os opcionais disponibilizados também são muito caros.