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Duelo de imagem | Revista Carro

Duelo de imagem

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Ford New Fiesta Sedan: A opção mais completa e com câmbio PowerShift sai por R$ 58.990.

Por quê? A versão sedã da nova geração do modelo acaba de chegar ao mercado brasileiro, importada do México.

Ford New Fiesta Sedan Titanium

Honda City LX: Com câmbio automático de 5 marchas, o três-volumes custa R$ 60.450.

Por quê? É um dos principais alvos do novo Fiesta: modelos de porte e equipamentos de segmento superior.

Honda City LX Automático

Dois fatores são essenciais para definir uma compra de carro no mercado brasileiro. A imagem do veículo e a da marca. Um belo design é metade do caminho andado, segundo alguns analistas. E a percepção que se tem da fabricante é decisiva para muitos compradores, principalmente os de sedãs (independentemente do porte).

As linhas da nova geração do Ford New Fiesta lhe conferem um visual moderno e atraente. Já a Honda tem fama de produzir modelos que apresentam poucos defeitos e oferece bom atendimento no pós-venda. Iniciada com o Civic, a reputação estende-se ao City. Essas duas diferentes imagens se enfrentam neste comparativo.

O Ford chega do México partindo de R$ 49.990, já com um bom pacote de itens de série. A versão avaliada é a mais completa, Titanium (R$ 58.990), com câmbio robotizado PowerShift de dupla embreagem. A expectativa da fabricante, aliás, é que essa caixa seja mais vendida do que a manual de 5 marchas.

A modernidade não fica restrita ao visual. O motor Sigma 1.6 de 130 cv entrega acelerações vigorosas e o câmbio tem trocas muito ágeis e sem trancos. O conjunto propulsor moderno mais a caixa de dupla embreagem de 6 marchas proporciona um comportamento mais dinâmico que o do rival. No modo Sport, as trocas passam a ocorrer em rotações mais elevadas, proporcionando mais agilidade ao três-volumes.

A suspensão também está um pouco mais firme do que na geração anterior, favorecendo uma condução mais “apimentada”. O modelo, agora global, evoluiu sensivelmente em dirigibilidade.

O mérito é do projeto com mais influência da Ford européia do que do centro de desenvolvimento americano, como ocorreu com o novo Fusion. Santa globalização.

Mesmo 4,3 cm mais comprido do que o hatch, o maior problema do novo Fiesta sedã é a falta de espaço. De posse de um, esqueça aquele ímpeto do motorista soli­dário de oferecer carona a todos os colegas do trabalho na hora do almoço. No retorno do restaurante, o aperto no banco traseiro, com largura e área para o descanso das pernas bastante limitadas, fará os três que vão na traseira se arrependerem do pão com azeite antes do prato principal.

Os bancos dianteiros também são cur­tos e, apesar da boa posição de guiar, com ajuste de altura e distância do volante, o motorista sente-se pressionado pelas la­terais do veículo. Agora imagine numa via­gem mais longa com a família.

Já o Honda City tem a fita métrica a seu favor. Todos os ocupantes viajam com muito mais conforto que no concorrente. O entre-eixos de 2,55 m, 6 cm maior que o do Fiesta, dá folga de sobra para as pernas dos ocupantes do banco traseiro.

O Honda também é maior na largura e consegue entregar mais espaço ao moto­rista, que não fica tão próximo das portas e do console como no Ford. O porta-malas do City também é amplo, com capacidade para abrigar até 506 litros — 41 litros a mais que o do rival. Peca apenas pelas dobradi­ças da tampa, que podem amassar a ba­gagem dos mais desavisados.

Fabricado em Sumaré, SP, o sedã de origem japonesa tem motor 1.5 com 15 cv a menos que o do Fiesta. O City que com­pareceu ao embate foi o intermediário, LX, com câmbio automático de 5 marchas, que custa R$ 56.293. Suave e confortável, a caixa automática exclusiva da Honda, com uma marcha a menos, deixa o carro mais lento nas retomadas. Com isso, o City ficou um pouco atrás do Fiesta na pista.

Na aceleração de 0 a 100 km/h, a di­ferença é inferior a 1s em favor do Ford. O câmbio dupla embreagem, porém, faz di­ferença nas retomadas. O Fiesta precisou de apenas 7s5 para retomar de 80 km/h a 120 km/h. O City foi 2s5 mais lento na mes­ma prova. Essa diferença pode ser crucial em uma ultrapassagem.

O câmbio do Fiesta também ajudou a reduzir o consumo e o modelo mostrou-se bastante econômico na cidade e na estra­da. O sedã 1.6 marcou 10,2 km/litro (média Peco), contra 8,7 km/litro do rival.

Mesmo assim, isso não compromete o uso do City no dia a dia. O sedã exibiu bom desempenho na cidade e demonstrou fôlego na estrada. Mas o Honda parece concebido para entregar mais conforto do que esportividade. E faz isso muito bem.

A direção do City é mais leve e o sedã não provoca trancos em baixas rotações nas arrancadas, o que é mais adequado ao anda e para do trânsito carregado das grandes cidades. O acerto de suspensão é eficiente e não compromete a estabilidade, ainda que seja bastante suave.

O isolamento acústico e o conjunto mecânico do City podem oferecer menos barulho do que muitos concorrentes do segmento, mas o teste aferiu um nível de ruído superior ao do Fiesta, principalmente acima de 50 km/h.

O interior do Ford também é melhor acabado, com banco e forrações das portas de couro. O painel tem linhas mais modernas e conta com o sistema multimídia Sync, por meio do qual é possível receber ligações, reproduzir músicas e até ouvir as mensagens de texto do smartphone.

Tudo isso, aliado ao visual e ao desempenho mais esportivo, torna o Ford mais interessante para clientes jovens. O solteiro que foi promovido, mas deseja manter o estilo “descolado” ou o pai de família iniciante, com filho ainda pequeno e pouca bagagem para transportar.

Apesar dos bancos de tecido e da forração mais simples, o interior do Honda City não chega a comprometer. O visual é mais clássico e há um console central bem acabado, com detalhes em “black piano”.

O sistema multimídia é menos moderno que o do rival, tem entrada USB e operação amigável, mas peca por não oferecer uma conexão Bluetooth.

Ambos têm ar-condicionado, trio elétrico e sensor de estacionamento de fábrica, mas o Fiesta oferece mais itens de série, como controle de estabilidade e de tração, assistente de partida em rampa, freios ABS e sete airbags. A versão Titanium ainda conta com volante multifunção, bancos de couro, sensores de chuva e crepuscular, controlador de velocidade de cruzeiro e rodas de liga leve aro 16.

Já o City LX automático é caro em função do que oferece, pois não vai além das rodas 15”, do airbag duplo frontal e dos freios com ABS. Espaçoso e confortável, ele é mais indicado para a família. Perde apenas porque o Fiesta oferece um desempenho superior e é um projeto mais moderno.

Nossa conclusão

1º Ford New Fiesta Sedan Titanium – Média Final: 7,8

A nova geração do Fiesta é um projeto global, o que lhe dá qualidade de carroceria e nível de equipamentos de mercados para atender a mercados mais exigentes que o brasileiro. Além do design moderno, na versão Titanium, o sedã tem um ótimo desempenho. Não bastasse os 130 cv do motor 1.6 Sigma, o câmbio de dupla embreagem garante agilidade e contém a “sede” do carro por combustível. O acerto de suspensão é mais firme, combinando com a proposta de oferecer uma condução mais dinâmica. Todos esses ingredientes devem atrair um cliente mais jovem, principalmente porque o principal defeito assusta o comprador mais tradicional deste segmento: falta espaço interno. Para quem não gosta, a Ford recomenda o Focus, que é bem mais caro.

Pontos positivos: O desempenho é superior, com motor mais potente e câmbio de dupla embreagem, que garante agilidade e baixo consumo.

Pontos Negativos: Espaço interno limitado, com bancos dianteiros curtos, aperto nos bancos traseiros e porta-malas menor que o do concorrente.

2º Honda City LX – Média Final: 7,5

Sedã da Honda é sinônimo de conforto ao rodar e poucas preocupações na hora de fazer a manutenção. O City não foge a regra. O espaço interno é bem maior que o do concorrente. O acerto de suspensão e a direção macia tratam o bem o motorista no trânsito mais carregado. O conjunto, porém, é um pouco mais lento, sem inclinações esportivas, e o consumo de combustível é maior. Priorizando o conforto à esportividade, é mais indicado para clientes mais familiares. Perde por pouco porque o Fiesta é um projeto mais moderno e com desempenho superior.

Pontos positivos: O sedã é bem mais espaçoso que o rival. O acerto de suspensão eficiente e a direção macia entregam conforto no trânsito carregado.

Pontos negativos: As retomadas são mais lentas e o motor, mesmo com potência menor, consome mais. Faltam equipamentos de série.

Pense ele também: Chevrolet Sonic LTZ – Preço: R$ 57.690

Alternativa atraente: Há poucos deles circulando pelas ruas, mas o Sonic tem bom desempenho e preço menor que os rivais. O câmbio automático de 6 marchas garante bom comportamento, apesar de ele ser menos potente que o Fiesta. O Chevrolet oferece mais espaço que o Ford, mas não o mesmo conforto do Honda City.

Opinião

Confesso que sou admirador dos automóveis japoneses, por sua confiabilidade e robustez. Contudo, neste embate é difícil não se deixar encantar pelas qualidades do New Fiesta Sedan. Afinal, além do estilo ousado, o mexicano ainda traz um bom motor 1.6 e, principalmente, o belo câmbio robotizado de dupla embreagem, que concilia suavidade de funcionamento com rapidez nas trocas. Assim, apesar de ele oferecer menos espaço, fico com o New Fiesta Sedan. – Wilson Toume

O New Fiesta tem um estilo mais esportivo que o Honda. A grade dianteira, o interior mais aconchegante — para quem dirige — e o motor 1.6 dão um toque de jovialidade ao carro. Mas se a Ford quisesse realçar a esportividade no New Fiesta, poderia adotar um sistema de trocas sequenciais convencional (deslocando a alavanca) em vez de um botão. O City é mais clássico, sem invenções. O que mais me agrada em um sedã é o espaço interno e o conforto. Por isso, escolho o japonês. – Vinícius Montoia