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Como eu consigo viajar tanto

Como eu consigo viajar tanto

Como eu consigo viajar tanto

Eu tenho plena convicção que não devo satisfação a ninguém, mas tudo que envolve viagens causa comoção e muitas vezes causa polêmica.

A verdade é que eu pago minhas contas. A verdade é que eu paguei minha volta ao mundo. As pessoas querem jogar a “culpa” nos meus pais e eu sinto informar, mas meu pai morreu em 2008. Moro sim com minha mãe, mas isso não significa que é ela quem paga minhas contas.

Comecei a trabalhar com 17 anos, mas, antes, aos 15,  eu já tinha sido empacotadora numa loja de jóias nas minhas férias escolares.

Com 17 anos, fiz o concurso temporário do IBGE e passei. Eu não fiz o censo, mas participei da apuração dele. Nessa época, eu já estava no primeiro ano da faculdade. Depois, com 18 anos, comecei a fazer outro curso, o de Publicidade. Estudava de manhã e de noite. Nesse ano (2000), eu não trabalhei, simplesmente porque não sobrava tempo.

Depois, meu pai teve que se aposentar por invalidez, a renda da minha família caiu e eu achei que era hora de procurar um estágio. Tranquei a faculdade de Administração que eu fazia de manhã e passei a trabalhar. Desde então, eu trabalhei muito. Engoli muito sapo, cheguei a trabalhar 60 horas por semana para juntar o dinheiro que hoje paga minhas viagens. Viagens que causam tanta polêmica.

E vale lembrar que eu fui trabalhar na Europa. Muita gente delira e acha que meus pais pagaram essa temporada na Europa, mas eu trabalhei e muito. Trabalhei numa multinacional em Portugal, mas fui babá na Itália e garçonete em Londres. Cheguei até a fazer um teste para trabalhar na Starbucks em Londres e uma das minhas responsabilidades seria a de limpar o banheiro, mas não deu certo.

Cheguei num ponto de esgotamento físico e emocional em 2011 e resolvi tirar meu ano sabático. Quem continuou pagando minhas contas nesse período, pasmem, fui eu. Estou sim em transição de carreira e alguns já devem ter percebido que estou abandonando de vez a área de marketing. Só que moramos no Brasil e aqui não é tão simples mudar de área.

Viajo muito mesmo, porque viajar para mim é investimento. Só que criticar é fácil, tentar entender como eu consigo viajar tanto é bem mais complicado. Agora, eu não fico em hotéis, fico em hostels. Divido quarto com mais 6,10 pessoas. Também não frequento restaurantes durante as viagens. Como na rua e garanto que grande parte de vocês não teria coragem de comer nos lugares que eu como. Ando a pé para economizar no transporte público. Durmo nas cadeiras dos aeroportos (se for preciso) para economizar uns trocados. Dou preferência sempre aos ônibus noturnos para economizar uma noite de hospedagem. E por aí vai.

O tipo de banheiro que tive que enfrentar em várias partes do mundo. Nem tudo é glamour.

Meu mochilão, que foi presente do meu ex-namorado.

Junte a isso o fato que meus pais nunca foram ricos e nunca me deram um carro. Comprei meu primeiro carro, um Celta (pelado) com o dinheiro do meu trabalho. Depois vendi esse Celta para comprar um outro Celta e o máximo que eu consegui dirigir foi um Sandero. Acho que nunca vou dirigir um carro que não seja 1.0. Aliás, não tenho mais carro. Eu ando de ônibus.

Também junte a isso, os shows que eu não fui, todos os réveillons que passei em Curitiba (enquanto meus amigos iam para a praia) e as roupas de marca que eu me recuso a comprar no Brasil (tenho algumas compradas nos EUA a preços de lojas C&A no Brasil). Faz 6 meses que eu voltei ao Brasil e só fui duas vezes no shopping e não comprei nada para mim e sim presentes para os outros.

Se você me perguntar qual é a cor que está na moda, eu não sei te responder. Shopping é algo que não me agrada e não perco o meu precioso tempo lendo blogs de moda.

Também não sei como é jantar em tal restaurante que está na moda, porque eu nunca jantei lá. Na minha família, cada um sempre pagou sua refeição. É fácil bater no peito e falar que é independente, quando sai para almoçar no final de semana e o pai paga a conta.

Minha cabeça funciona a base de viagens. E quanto mais eu economizar nos outros setores da minha vida, mais dinheiro eu vou conseguir juntar para viajar.

Vejo pessoas próximas gastando pequenas fortunas em roupas e cremes, coisas que para mim são inúteis. Não nego que gosto da The Body Shop e L’Occitane, mas só compro quando viajo e está em promoção.

Mesmo quando meu salário era alto, eu sempre vivi com muito menos do que eu ganhava e é “só” por isso que eu já viajei tanto nessa vida. Tive a sorte de ter pais que me ensinaram a fazer bom uso do dinheiro e me ensinaram a economizar.

Cheguei em Dubai porque economizei durante meses e fiquei de favor na casa de uma amiga.

Resumindo, eu escolhi priorizar as viagens na minha vida e os demais setores pagaram essa conta.

Minha amiga postou uma frase da Cora Coralina que achei linda. “Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir”.

Como dizem, cada escolha é uma renúncia. Na década passada da minha vida, eu renunciei a minha vida pessoal para ter sucesso na profissional. Nessa nova década que estou vivendo, renunciei a vida profissional, tentando ter sucesso na vida pessoal. Ri e chorei, desisti e lutei, mas nunca fiquei em cima do muro. E minha decisão sempre foi a de buscar a felicidade.

Meu primeiro passeio de balão no Laos

Um post sentimental, eu sei, mas queria dividir com vocês essa nova fase da minha vida, que obviamente não será fácil. As viagens continuarão e quem quiser me julgar, pode ficar à vontade. Só lembrem que cada um faz o que bem quiser com o seu dinheiro e que nem todo mundo tem como sonho na vida, casar, ter filhos ou ter uma casa própria. Nessa minha última viagem, conheci um cara que está viajando há 3 anos pelo mundo e simplesmente não vai parar. Se ele está certo ou errado, eu não sei, mas definitivamente ele está feliz.

Hoje o que me faz feliz são minhas viagens, porque elas são minhas e são exatamente a minha cara.

 

Mastercard está certa em dizer que certas coisas na vida não têm preço. Esse amanhecer em Angkor Wat com certeza faz parte dessa série.