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Tour pela Robben Island na África do Sul – Preciso Viajar

Tour pela Robben Island na África do Sul   Preciso Viajar

Tour pela Robben Island na África do Sul Preciso Viajar

Atualizado em 23 de dezembro de 2017

Sempre gostei muito de História e tive fascínio pelas “injustiças” do mundo. Holocausto, genocídios, intolerâncias, e por aí vai. E a África do Sul tem um passado recente de muita injustiça. Um regime chamado Apartheid. Triste, cruel, revoltante e a Robben Island retrata uma parte do que foi tudo isso.

Apartheid

O Apartheid durou 46 anos. O regime dividia os habitantes em grupos raciais, segregando inclusive as áreas residenciais. Os brancos tinham direito a tudo do bom e do melhor e os negros, bom, os negros não tinham acesso a quase nada. Vários direitos básicos foram privados dos negros, nos âmbitos sociais, econômicos e políticos.

Negro não era gente e o mais irônico é que eles sempre foram maioria na África do Sul. Não precisa ser nenhum gênio para perceber que esse regime causou muita revolta e até hoje deixa sequelas na população. O Apartheid teve fim em 1994, ou seja, ainda é muito recente. Visitei a África do Sul no final de 2010 e é fácil enxergar as marcas que o Apartheid deixou no país. O desemprego é grande. Estima-se que 25% da população esteja desempregada. O preconceito ainda existe. Tudo bem que hoje é de forma velada, mas notamos em vários restaurantes que os brancos faziam questão de conversar em Afrikaans para que os funcionários negros não pudessem entender a conversa. A África do Sul possui diversos idiomas oficiais, entre eles o inglês, mas o Afrikaans era ensinado apenas nas escolas dos brancos.

Para quem quiser entender um pouco mais sobre o assunto de maneira “leve”, indico o ótimo filme Invictus. Bom, fiz questão de contar um pouco desse passado trágico do país, para começar a mencionar a Robben Island, uma das partes que mais gostei do país.

Robben Island

A Robben Island foi usada durante vários anos como prisão. Nelson Mandela ficou preso 18 anos lá. A ilha fica a apenas meia-hora de Cape Town e você tem que pegar um ferry em Waterfront. Quando você desce do ferry, é direcionado para os ônibus, que fazem o tour pela ilha. O guia então explica como era o funcionamento da ilha na época que ela funcionava como prisão.

Painel da liberdade na Robben Island

O painel da liberdade. Segundo o nosso guia (ex-prisioneiro), a única pessoa que não está feliz na foto é o guarda (branco), porque perdeu o emprego

 

Robben Island

A linda ilha chamada Robben Island

Depois, você faz um tour na parte interior da prisão e os guias são ex-presidiários. É de sentir frio na espinha, porque você escuta a história de quem realmente viveu aquela história.

É um daqueles lugares que não dá para sorrir na foto e confesso que me segurei para não chorar. Se alguém já viu o filme Invictus tem uma hora que o Matt Damon fala – “não sei como alguém pode passar anos numa cela tão apertada e sair disposto a perdoar quem o colocou ali dentro?” Esse é o Mandela, alguém que eu já era fã antes de conhecer Robben Island e me tornei muito mais fã, quando vi “ao vivo”, o que ele passou. Se todos os políticos fossem que nem Nelson Mandela, o mundo seria um lugar melhor e definitivamente mais justo.

Robben Island

As celas minúsculas dos prisioneiros (a do Mandela era igual)

Robben Island

Ex-prisioneiro nos contando que os negros tinham uma dieta diferenciada na ilha (com menos comida que os demais prisioneiros)

Gostei muito da Robben Island não só pela importância histórica e a lição que ela deixa para a humanidade, mas também porque ela me toca de maneira pessoal. Não conheço ninguém que foi prisioneiro na ilha ou pessoas que viveram o Apartheid, mas o preconceito contra negros me afeta muito.

Uma das minhas bisavós paterna era negra. Pode parecer um parentesco longínquo, mas é quase tão longe quanto meu parentesco italiano. Eu era muito nova quando minha bisa morreu e infelizmente não pude escutar as histórias dela e de seus pais que, com certeza, em algum momento da vida também sofreram o preconceito.

Acho que a Robben Island, Nelson Mandela e a África do Sul deixam algumas lições para o mundo, entre elas que cor da pele não faz ninguém ser melhor do que ninguém e que o perdão é difícil e doloroso, mas não é impossível.

E após todas as lições que aprendi com a Robben Island, no final, quando estávamos indo embora, aprendi a maior de todas. Li a seguinte frase em um ônibus: “A viagem nunca é longa quando a liberdade é o destino”.

 

Importante

O passeio custa 230 rands. Os tickets podem ser comprados no V&A Waterfront (no Nelson Mandela Gateway) ou pela internet. Mas às vezes o ferry não sai devido as condições climáticas. O tour dura umas 3 horas. Existem 4 horários para pegar o ferry: 09h00, 11h00, 13h00 e 15h00. Fui no último horário e depois aproveitei para jantar na região de Waterfront, que é muito legal e tem vários restaurantes.

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