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O mestre do design | Revista Carro

O mestre do design

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Giugiaro: "Nem todos percebem que os carros são diferentes um do outro"

Os carros estão todos iguais? Até que ponto há interferências das montadoras no trabalho de um estilista? Existe frustração quando um projeto não é colocado em prática? Essas e outras questões foram respondidas pelo consagrado designer italiano Giorgetto Giugiaro, que neste ano celebrou 45 anos da fundação de seu estúdio Italdesign – que hoje pertence ao Grupo Volkswagen.

Uma das questões levantadas foi a semelhança dos modelos atuais. Giugiaro revelou que as montadoras querem carros que se assemelhem, como pais e filhos. “Todos temos olhos, nariz, boca, enfim, somos iguais, mas o rosto de cada um é diferente do outro. Assim é com os carros, que apresentam, sim, diferenças estéticas. Mas às vezes é preciso estar atento para percebê-las”.

Nesse momento, o filho de Giorgetto, Fabrizio Giugiaro, fez uma intervenção bastante contrariada. “Espanta-me que vocês, jornalistas do setor automotivo, afirmem que os carros são todos iguais. Os estilos possuem diversas linguagens. Vocês não sabem distinguir as diferenças? As fabricantes asiáticas fazem uma mistura, uma grande confusão, mas as europeias não. Elas têm personalidades marcantes. Os automóveis não são iguais”, decretou. O velho Giugiaro tentou contemporizar: “Acho que eles se referem a carros da mesma marca…”

Ok, mestre Giugiaro, mudemos de assunto. Em seguida, ele admitiu que os projetistas sempre se mantêm atentos ao que está sendo feito na indústria e um carro de grande sucesso comercial acaba causando um impacto no desenvolvimento de outros. “Se uma marca cria uma boa solução de farol, por exemplo, inevitavelmente ela influenciará quem opera nesse setor. De toda forma, o desafio é buscar o novo constantemente e por custos cada vez mais baixos”, salienta. “Tecnologicamente, todas as fabricantes produzem carros confiáveis. Mas uns mais que os outros.”

O designer italiano conta que os criadores de um novo automóvel, no final das contas, não são responsáveis pelo produto. Isso porque são fortemente influenciados pelas opiniões das equipes de marketing, do comercial e pelos engenheiros das fábricas. “O que sempre esperamos é que toda essa ingerência acabe sendo boa para nós”, afirmou, trocando um sorriso com o filho Fabrizio.

Diante da questão de que os jovens estão se desapegando do automóvel, Giugiaro, bem humorado, não se mostrou muito preocupado. “O carro representa um meio de descarregar a adrenalina, uma ferramenta que faz o jovem ser original, até um pouco transgressivo. Mas devemos inovar para conquistar esse público”.

A decepção de que o projeto proposto jamais entre em produção também é um fantasma que assombra o designer. Nesse ponto, Giugiaro mostra-se bastante pragmático. “Uma empresa visa o lucro. Se não tiver a certeza de que um projeto será viável economicamente, não colocará em prática a ideia daquele carro”, diz. “Isso não é frustrante, faz parte do jogo de xadrez da economia.”