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Weintraub só perde cargo se Bolsonaro quiser, avalia governo

Weintraub só perde cargo se Bolsonaro quiser, avalia governo

Weintraub só perde cargo se Bolsonaro quiser, avalia governo

Mesmo sob a forte oposição de funcionários do Banco Mundial e de intelectuais brasileiros, o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub só deve deixar de assumir o cargo de diretor-executivo no organismo internacional caso o presidente Jair Bolsonaro mude de ideia. A avaliação de integrantes do órgão e do próprio governo é que, apesar de as manifestações contrárias arranharem a imagem do Brasil, tecnicamente não geram impedimentos para que o ex-ministro seja nomeado.

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Segundo o Estadão/Broadcast apurou, o governo não tem a intenção de retirar a indicação de Weintraub. A avaliação é de que essa resistência era esperada, por se tratar de um “personagem polêmico”, mas que as reclamações fazem parte do jogo.

Jair Bolsonaro ao lado do agora ex ministro da Educação Abraham Weintraub Jair Bolsonaro ao lado do agora ex-ministro da Educação Abraham Weintraub Foto: Reprodução

A Associação de Funcionários do Banco Mundial enviou uma carta nesta quarta-feira, 24, ao Comitê de Ética da instituição, pedindo uma investigação sobre o ex-ministro da Educação. O grupo, que representa os funcionários do organismo internacional, requer que a nomeação do brasileiro fique suspensa até a conclusão da investigação. Na semana passada, 270 personalidades brasileiras, entre economistas, políticos e artistas, também assinaram uma carta contra a nomeação do ex-ministro.

Uma fonte ressaltou que a carta desta quarta-feira se trata de uma manifestação dos funcionários, e não dos acionistas do banco. Na prática, a oposição pública não partiu de nenhum dos membros do organismo e não deve ter efeitos na decisão. Além disso, a avaliação é que o comitê de ética não faz “avaliação prévia” dos integrantes da diretoria, mas sim o monitoramento da atuação do indicado enquanto diretor.

Para um ex-integrante do Banco Mundial, as manifestações contrárias ao nome escolhido pelo Brasil não impedem a entrada do ex-ministro, mas vão “atrapalhar sua vida” na instituição. Diante das manifestações, o comitê ético pode vigiar a atuação de Weintraub. Se ele “sair da linha” e, por exemplo, fizer publicações polêmicas em redes sociais, o governo brasileiro pode ser comunicado de que o representante não está atuando de acordo com as normas éticas e, no limite, pode ser convidado a se retirar.

No cargo para o qual o ex-ministro foi indicado, Weintraub atuará como um representante dos “acionistas” em um conselho de administração de um banco. Ele representa o Brasil e mais oito países, e não é funcionário do Banco Mundial. Os demais países fazem uma votação, mas geralmente é “pro-forma”, já que o Brasil tem mais do que 50% do capital votante da cadeira. Por isso mesmo, apesar de, como diretor-executivo, Weintraub ter que seguir um código de conduta, sua indicação depende exclusivamente dos acionistas e não passa pelo crivo do banco ou dos outros integrantes – o Banco Mundial tem 187 países membros. A palavra final, portanto, acaba sendo mesmo do governo brasileiro.

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Estadão

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